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A rosa que te ofereço hoje...Pai

Domingo, 30.11.08

 

Estás aqui, sentado neste cadeirão que tanto gostas...largo...confortável...generoso, como o teu coração

olho-te e...

perscruto esse olhar já cansado...sei que também me olhas...olhas os que te amam e hoje se reuniram aqui a festejar os teus 64 anos...mas só eu te sinto já longe...muito longe...tão longe que não quero ver o caminho para lá...

neste meu olhar que se inunda de uma saudade anunciada, lembro quando me dizias " quero partir de uma só vez..." não entendia, mas acreditava que quando se quer com força...temos

Parabéns a você...

comes o bolo que que te fiz ...sem o saboreares como outrora...estás cansado, a custo apagas as velas...vejo-te sem brilho...muito baço...olho-te o coração e ele mostra-se sombrio... a partir...

Parabéns a você...uma réstia de alegria ainda baila nos teus olhos, mas só neste momento...

30 de Novembro de 1999, aniversário que recordarei para sempre...porque é o ultimo...em que nos olhas desse cadeirão largo... confortável...generoso, como o teu coração...

Hoje 30 de Novembro de 2008, não tenho bolo para te dar...não tenho os que amas reunidos...mas tenho-te a ti no meu coração

e o cadeirão está aqui, com o teu olhar...com o teu sorriso...com o amor que tinhas por nós...entranhado de saudade... já só, com uma lágrima ,como a gota de orvalho na rosa que te ofereço hoje.

 

Não tive tempo de te oferecer rosas enquanto descansavas neste cadeirão...foram tantas as que ficaram por te pôr nos braços...por te brindar com o seu perfume e o aveludado das pétalas...e não tive tempo de te dizer o quanto te amava...

 

 

E anunciada, estava a tua partida para 12 de Fevereiro de 2000.

 

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publicado por dolce_vita às 04:06

"Ausência"

Terça-feira, 11.12.07

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava,ignorante,a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência

a ausência é um estar em mim.

E sinto-a,branca,tão pegada,

aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência ,essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

de, Carlos Drummond de Andrade

Solidão,ausência,saudade ... palavras, só isso!?

mas são elas que nos adormecem os sentidos

que nos devoram os pensamentos

que se escondem num casulo em silêncio envergonhado...dorido

cortando tantas vezes o fio dos afectos que tecem cada retalho da vida...

e se estas palavras persistirem, a serem, sinónimas no coração, que sejam ...

é porque já nos perdemos de nós...

então,é tempo de regresso, de  voltar

secar a chuva miudinha, atravessar a névoa, afastar a ventania...

e  de vagarzinho desimpedir o caminho de invernias que sentimos

e aceitar a ternura que ainda temos

e que os olhos nem sempre conseguem ver

e o caminho reinventa-se na esperança

faz-se em nós.

vai-se fazendo em mim

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publicado por dolce_vita às 20:28





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